Em dias de muita chuva e enchentes, jamais deixe seu pet molhado

Em dias de muita chuva e enchentes, jamais deixe seu pet molhado

 

As chuvas de março chegaram de maneira assustadora, com força acima do previsto, trazendo pânico e muitas doenças, sobretudo aos pets. Ninguém imaginava tantos estragos. As enchentes causam destruição, caos e são cruéis com os animais, habitualmente desprotegidos e expostos às águas (muitas vezes contaminadas), a temível e mortal leptospirose, infecções respiratórias, a possibilidade de piora das infecções de pele, conhecidas como piodermite e malasseziose, e o aumento de proliferação de mosquitos que podem transmitir doenças. Deixar o animal molhado é correr enorme e desnecessário risco de vê-lo adquirir alguma moléstia.

Com dias de intensas chuvas e alagamentos, a leptospirose é o maior temor de tutores por se tratar de uma das doenças mais perigosas e graves para os cães. Causada pelo xixi dos ratos, ela se alastra fácil em épocas de enchentes. E pode levar seu animal rapidamente ao óbito. Bueiros, lagos e rios transbordam fácil nessa época de fortes tempestades, e a água pode vir infectada com a leptospira, bactéria da leptospirose.

Zoonose carregada de alto poder destrutivo para o organismo dos animais, a leptospirose pode causar problemas graves em cães, como falências em diversos órgãos. “A leptospirose é uma doença que pode aumentar a incidência em época de chuva. Com transbordamento de rios e bueiros, a urina do rato pode ser disseminada”, alerta a doutora Karen Bluwol, coordenadora clínica do Hospital Veterinário Santa Inês da unidade de Santana. “Ela tem como sintomas principais vômito, diarreias, perda de apetite, febre, prostração, mucosas e pele amareladas, com alteração importante no fígado, no rim, no hemograma, e tem risco de óbito. Além disso pode transmitir para o humano caso tenha contato com a urina e secreções infectada do cachorro”, ressalta.

Apesar do risco de óbito, existem formas de cura. “Podemos prevenir com a vacinação e tem tratamento caso seja acometido.”

O melhor, contudo, é evitar a contaminação dos pets e a doutora Karen dá dicas preciosas. “Sempre mantê-los longe da chuva, de lugares alagados, de poças d’água e manter a comida protegida para evitar que passe rato no lugar, principalmente para quem mora em casa ou sítio”, diz. “O ideal é dar a alimentação em horários específicos, sem deixá-la exposta o dia inteiro. Vacinação é importantíssima, tem também o reforço da (vacina) leptospirose a cada seis meses”.

Apesar da chuva, o número de mosquitos espalhados pelos ambientes não diminui. Outra doença que pode aumentar nessa época é a leishmaniose. “Essa doença é transmitida por picada de mosquito, e em tempo quente e úmido podemos ter aumento da população desses insetos. A leishmaniose pode ser cutânea ou visceral, e pode acometer diversos órgãos do organismo, com risco de óbito. Além disso, se o mosquito picar o cão e depois o humano, pode haver transmissão da doença”. surpreende a Dra. Karen. Podemos prevenir essa doença com o uso de coleiras repelentes e vacinação específica.

Mais direto, impossível. Jamais deixe o cão ficar com o corpo úmido. Se ele estiver molhado, tem de secá-lo bem e rápido para evitar os problemas de pele e doenças respiratórias. “Deixar o pet úmido pode predispor a queda da imunidade e aparecimento de doenças oportunistas, como a pneumonia”, alerta a Dra. Thais Rocha Cacciacarro, coordenadora do Hospital veterinário Santa Inês da unidade Jardim São Paulo. Mesmo se o animal de estimação adora se refrescar com um banho de mangueira, principalmente nessa época mais quente do ano.

Saiba que o resultado não é muito diferente de quando ele fica à deriva em época de chuva. Deixá-lo protegido, em local coberto e seco se faz necessário, pois o simples fato de ele estar molhado, já se torna motivo mais do que suficiente para a aparecer infecções de pele, por exemplo. “Eles ficam expostos à chuva nos quintais e acabam desenvolvendo infecções bacterianas secundárias, por conta do pelo ficar úmido e não secar direito”, observa a dermatologista Eloísa Carvalho, também do Hospital Santa Inês, que trata com frequência de pets nessas condições.

E não são poucos os casos de pacientes com doenças de pele que adentram o hospital. As piodermites são os males mais comuns, mas é bom ficar em alerta com a micose superficial, como a malassezia. Aos que habitam regiões com risco de alagamento, o perigo vai além, apesar de as chances de contaminação serem pequenas. “Têm algumas outras doenças, raras, que a gente pensa que são transmitidas pela água, como a algose e a micobacteriose, mas essas só aparecem em animais que entram em lagos ou rios”.

Por isso, fique atento a prevenção e aos sintomas dessas possíveis doenças, e caso perceba algo diferente com o seu pet, não exite em buscar um atendimento com um médico veterinário!

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