Obesidade e diabetes também assombram os animais e exigem cuidados especiais

Obesidade e diabetes também assombram os animais e exigem cuidados especiais

Quantas vezes você não se olhou no espelho e reclamou daquelas gordurinhas indesejadas? Ou rejeitou um doce para não aumentar o nível de glicose no organismo? Obesidade e diabetes, doenças que atingem boa parte da população, também se tornaram um mal recorrente na vida dos animais. E devemos ter cuidado extra. Sabemos reconhecer esses males em nossa vida, mas dificilmente os enxergamos em nossos pets. Tutores têm a obrigação de prestar mais atenção em seus animais de estimação em nome de uma vida longa e saudável.

A procura de um endocrinologista é o principal caminho para evitar que nossos estimados pets sofram dessas doenças. O Hospital Veterinário Santa Inês dedica atenção especial para o tratamento da obesidade animal, que atinge mais da metade da população mundial dos bichos. Sim, mais de 50% dos nossos companheiros de pelos mundo afora estão acima do peso.

Estudo da Mars Petcare com tutores de todo o mundo revelou que 59% dos cães e 52% dos gatos estão acima do peso. Mesmo com apenas 24% reconhecendo que seus bichos sofrem com a obesidade.

A obesidade é definida como uma doença de origem multifatorial, que leva ao acúmulo exagerado de tecido adiposo no organismo animal, com prejuízo das funções fisiológicas. O ganho de peso, decorrente do excesso de gordura corpórea, está associado a um aumento da ingestão alimentar e/ou a uma redução do gasto energético, o que resulta em um balanço metabólico positivo. No seu surgimento, estão envolvidos fatores genéticos, além de influências ambientais e sociais. A obesidade compromete o tempo e a qualidade de vida dos indivíduos acometidos, e deve ser encarada como uma doença crônica.

 As principais causas de obesidade primária são: refeições diárias excessivas, atividade física insuficiente, fornecimento sistemático de “restos” de comida ao cão, compartilhamento de doces com o cão por crianças, rivalidade com outro animal em casa. Algumas raças apresentam predisposição para ganharem peso, como os beagles, Cocker Spaniels, labradores e Dachshund por exemplo. Diversos estudos mostram que animais castrados tendem a serem obesos. Uma das razões aventadas é de que a ausência dos estrógenos e andrógenos leva, respectivamente, ao aumento no apetite e à diminuição da massa magra, componente importante no gasto metabólico.

 “Animais adultos e idosos têm maior probabilidade de se tornarem obesos devido à falta de atividade física e diminuição da atividade metabólica. Animais cujos proprietários são obesos, que recebem frequentemente petiscos ou guloseimas, são mais predispostos a serem obesos”, observa Karen Bluwol, endocrinologista e coordenadora do Santa Inês.

O diagnóstico é feito da forma mais simples através da inspeção e palpação direta. Cães e gatos devem ter as costelas facilmente palpáveis. Além disso, quando vistos por cima, devem apresentar forma de ampulheta. Animais com abdômen abaulado a partir da última costela, com depósitos de gordura evidentes, e que possuem o gradil costal de difícil palpação, são considerados obesos. Para facilitar a classificação da severidade da obesidade, usamos o escore de condição corporal. Outras formas de classificar a obesidade, como a estimativa da porcentagem de gordura corpórea (% GC), obtida através de medidas da circunferência pélvica e o comprimento da tuberosidade do calcâneo ao ligamento cruzado, também auxiliam no diagnóstico.

O diagnóstico se inicia com os exames físico e laboratoriais para o descarte de alguma doença hormonal e a constatação de alterações decorrentes da obesidade. Atualmente, sabe-se que a condição de obesidade é caracterizada por um estado inflamatório de baixa intensidade, crônico e sistêmico, resistência insulínica, inflamação generalizada e eventos ateroscleróticos. A osteoartrite é uma causa significativa da dor e incapacidade, e sua relação com a obesidade já foi estabelecida nos homens e está sendo estudada nos cães. Sabe-se que a perda de peso é um tratamento eficaz para a osteoartrite, diminuindo o quadro de dor e melhorando a qualidade de vida. Outra alteração observada nos cães e gatos obesos é aresistência insulínica, que pode evoluir para o quadro clínico de diabetes mellitus. Cães obesos também podem apresentar aumento dos níveis de triglicérides e colesterol. A concentração de colesterol na fração de LDL, como um fator aterogênico, tem sido amplamente explorada na literatura.  Outra alteração que pode ocorrer é o aumento da pressão arterial. Também, é um agravante nas condições respiratórias crônicas como asma e colapso de traqueia. O sobrepeso compromete a expansão pulmonar e a função respiratória, por consequência

A obesidade também pode ser uma consequência de algum distúrbio hormonal, como por exemplo hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo, e uso de medicações como anticonvulsivantes e glicocorticoides. Por isso é muito importante a avaliação com um profissional capacitado para detecção de possíveis doenças e instituição do tratamento adequado.

O tratamento começa com a prescrição de dieta específica com restrição calórica, sendo necessário o cálculo de calorias a serem ingeridas diariamente para cada indivíduo com base no seu peso ideal. A dieta deve ter menor densidade enérgica, alto teor de fibra e baixa concentração de gordura. A atividade física também faz parte do tratamento, para aumentar o gasto energético e a massa magra. Além disso, o exercício minimiza a hipertensão arterial e a resistência insulínica. A atividade física destinada aos cães obesos pode ser sob a forma de caminhadas, corridas ou natação, sendo esta última a forma preferencial a ser oferecida aos animais obesos com problemas ortopédicos.  A conscientização dos tutores e adesão ao tratamento são essenciais para o sucesso do tratamento.

Cuidado com o diabetes

Assim como em humanos, o diabetes também não tem cura nos pets. Mas com auxílio do endocrinologista, será tratado com sucesso. O médico-veterinário vai auxiliar e orientar tutores para que a doença não apresente complicações, como o surgimento de catarata, pancreatite e infecções.

Segundo a “American Diabetes Association”, o diabetes mellitus (DM) inclui um conjunto de distúrbios metabólicos de diferentes etiologias, caracterizados por hiperglicemia crônica resultante da diminuição da sensibilidade dos tecidos à ação da insulina e/ou da deficiência de sua secreção. Pode ser classificada em DM tipo 1, caracterizado por destruição das células B pancreáticas com deficiência absoluta de insulina ou DM tipo 2, caracterizado por resistência insulínica ou deficiência de insulina.

Os sintomas característicos do diabetes mellitus são beber muita água, urinar exageradamente, perda de peso e aumento do apetite. Quando não realizado o diagnóstico precocemente, o paciente desenvolve o quadro de cetoacidose diabética (CAD). Nesse caso, temos manifestações clínicas como vômito, falta de apetite, dificuldade respiratória, prostração. Esses sintomas se devem à um desequilíbrio ácido-base e hidroeletrolítico.

Sempre que for realizado o diagnóstico da doença, deve ser realizado uma avaliação detalhada para averiguar as possíveis causas para o início do quadro, e as possíveis consequências. Doenças como o hiperadrenocorticismo em cães e hipertireoidismo em gatos predispõem ao surgimento do DM. Em gatos, a obesidade é o maior fator de risco para o desenvolvimento do DM. Outras causas como cadelas não castradas também aumentam o risco do surgimento do quadro, devido a uma elevação da produção de progesterona e sua interferência na ação da insulina.

O tratamento deve ser instituído de acordo com a fase da doença. Caso o paciente se encontre em CAD, a internação é necessária para correção das alterações encontradas e início da insulinoterapia. No caso do paciente com DM não complicada, inicia-se a insulina (com tipo, dose e frequência a ser determinada de acordo com cada paciente), dieta específica e tratamento das alterações concomitantes.

Até o dia 18 de julho, o Hospital Veterinário Santa Inês está oferecendo aos tutores a Maratona Endocrinológica. Para maiores informações, entre em contato:

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