Enriquecimento ambiental para felinos

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Atualmente, existe uma gama de brinquedos para gatos disponíveis no mercado. É importante, no entanto, saber a função de cada brinquedo e o perfil do seu gato antes de adquiri-los.

Já é comprovado cientificamente que o enriquecimento ambiental, – ato de melhorar o ambiente com estímulos visuais e olfativos – afeta positivamente a vida dos gatos. Como bom exemplo, temos os programas de controle de obesidade para felinos, que além de possuírem alterações em dieta e medicações, incluem brinquedos que estimulam a atividade física do animal, divertindo e queimando calorias ao mesmo tempo.

Como toda atividade, o enriquecimento ambiental precisa de treinamento. Filhotes são mais facilmente entretidos com brinquedos e laser, enquanto os animais adultos, que não foram acostumados a brincar, precisam de estímulos gradativos. Aos poucos, o instinto de caça vence a preguiça e eles passam a se divertir com a atividade.

O momento de interação do proprietário com o gato é de extrema importância, pois estreita os laços entre os dois, além de desestressar o animal. A rotação de brinquedos é importante, pois com o tempo o animal pode se desinteressar pelo mais antigo e querer brincar com a novidade; assim o mesmo brinquedo será novidade por um longo período.

Outro ponto importante é que os filhotes – alguns adultos também – tem uma tendência a morder os brinquedos, podendo eventualmente engolir partes dele. Essas partes ingeridas podem não evoluir pelo trato gastrointestinal do animal, causando obstruções sérias e problemas graves de saúde. Assim, confira se o brinquedo que você irá oferecer não possui peças que se soltem facilmente, linhas/lãs que podem ser ingeridas.

Uma vez que nossos bigodudos são carnívoros estritos e possuem uma colocação alta na cadeia alimentar, instintivamente os gatos possuirão grande capacidade de caça. Ratinhos com catnip (erva-do-gato), varinhas com brinquedos nas ponta, brinquedos pendurados simulam uma situação de caça e geralmente entretêm os gatos por horas a fio. Lembrando que 1/3 dos gatos não respondem ao catnip, então se seu gato não gosta de brinquedos ou não foi acostumado a brincar com eles, talvez ele se enquadre nessa parcela da população felina, e então não se atraia pelo brinquedo.

Arranhadores também são importantes elementos no enriquecimento ambiental. Além de ajudar o proprietário a preservar seu sofá intacto, ajuda o animal a desestressar enquanto afia as unhas.

Prateleiras, pontes de ligação e módulos suspensos são as mais novas formas de ajudar os gatos a manterem seus instintos de observação de ambiente em alta. Gatos curtem visualizar o ambiente de um local alto, além de proporcionar rotas de fuga e novas áreas de descanso. Esses elementos também estimulam a atividade física, uma vez que eles terão que subir e descer dos obstáculos, auxiliando no controle de peso. Já existem empresas nacionais especializadas em construir esse tipo de móveis para gatos, vale a pena procurar.

A tecnologia também já chegou para eles! Já existem aplicativos de Ipad e tablets especialmente para nossos felinos com diversos jogos, como caça aos ratos e peixes, nos quais o gato tem que bater no animal em movimento a fim de tirá-lo da tela, inclusive com diferentes níveis de dificuldade, É diversão certa! Porém, é importante lembrar que eles tem unhas que podem arranhar a tela do aparelho, certifique-se que ele está com uma boa película protetora para evitar estragos.

Existem também brinquedos com restrições. Nesses casos o gato não consegue realizar o processo de caça, ou demora muito tempo a atingi-lo. Em alguns deles coloca-se grãos de ração dentro de bolas vazadas, assim o animal deve girá-las numa posição certa para que o grão de ração saia da bolinha. Em outros, como nos crazy cicle, o gato consegue bater as patas na bolinha que existe dentro do brinquedo, porém não consegue retirá-la de lá. Esse tipo de brinquedo é mais seletivo, pois existem gatos que vão brincar com eles até se sentirem extasiados enquanto outros se frustram rápido…

Formas de entreter seu gato são inúmeras, resta testar qual a forma em que ele melhor se adapta!

Mariane Brunner, médica-veterinária (CRMV-SP 27060) do Hospital Veterinário Santa Inês, especializada em Medicina Felina – ANCLIVEPA-SP e mestranda do Departamento de Patologia Experimental e Comparada – FMVZ-USP.